quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Algum material - Parte 2 amostras

Vou ser sincero. Não esperava a aceitação da primeira parte sobre amostras que escrevi no link abaixo.

https://dionisiopesca.blogspot.pt/2017/01/algum-material-parte-1-amostras.html

Consigo perceber que a primeira parte se focou mais em artificiais pouco usados em Portugal, devido ao peso mais baixo que têm. Mas como gosto de confusões (nem por isso) vou agora bater nos que são talvez, os artificiais mais usados (ou mais cobiçados) pelos pescadores.

Para os tamanhos mais pequenos, tinha reservado uma parte só para eles, mas penso que visto se tratar do mesmo modelo posso encaixá-los todos juntos.

Começo pelos Duo Tide Minnow Slim nos tamanhos 140 / 175 /200

Duo Tide Minnow Slim 140 / 175 /200



De cima para baixo temos:

Duo Tide Minnow Slim 200 - Cor ACC-0039 Pearl Chart - 27 gramas
Duo Tide Minnow Slim 175 - Cor ADA-0027 Mullet HD - 27 gramas
Duo Tide Minnow Slim 140 - Cor AKA-0002 Rainbow - 18 gramas
Duo Tide Minnow Slim 140 - Cor AHA-0034 Sayori - 18 gramas

Em qualquer um dos tamanhos, os lançamentos são efetuados sem esforço e com boa trajectória. A versão Slim 175 é a que lança mais dos 3 tamanhos. A Slim 200 apresenta o mesmo peso da 175, mas com maior resistência ao ar devido ao tamanho.

Em qualquer das versões os pontos mais fracos sempre foram os triplos e os lábios que partiam facilmente. Penso que a Duo teve o feedback dos clientes em conta, e lançou novos modelos com lábio reforçado e os triplos foram substituídos por uns Gamakatsu que não me recordo o modelo.


Todos os modelos têm uma natação fantástica (para mim só superada pelos Daiwa) com um Wobbling/Rolling energético o que emite vibrações fortes. Um dos pontos fortes é também a presença de rattling interno (pequenas esferas responsáveis pela emissão de som à medida que a amostra se desloca).

Para todas as versões substituo os triplos pelos VMC 9626ps em tamanho 4.

Deixo uma pormenor acerca das versões 175 e 200, visto que apesar da principal diferença ser o tamanho existe uma outra menos visível que é a profundidade a que trabalham.

A versão 200, devido ao ângulo do lábio, tem uma natação menos profunda que faz a diferença em águas mais rasas.




Esquerda - Duo TMS 175 - 0,4m a 1m de profundidade
Direita - Duo TMS 200 - 0.4m a 0.8m de profundidade

É bastante visível, quando frente a frente, a diferença no ângulo do lábio.

Na comparação da versão 175 para a 140, apenas altera o tamanho do lábio. O ângulo mantém-se


Esquerda - Duo TMS 175
Direita - Duo TMS 140


Esta cor rainbow acima (PCD no caso da Rapala, Cotton Candy no caso das IMA e outras marcas) tem apresentado bons resultados em amanheceres com nevoeiro e/ou céu escuro com nuvens carregadas. Nessas condições são as primeiras a ir a banhos.

Na versão Slim 140 há um pormenor que me chateia na argola traseira e que por vezes prende as fateixas.


A argola traseira não está completamente desobstruída, mas mesmo assim em ação de natação não influencia o trabalhar. Apesar da troca de triplos pelos VMC 9626ps #4, a argola manteve-se a de origem.

**Vou deixar uma nota em aberto, visto no final da próxima análise comparar as Duo às Daiwa.


Daiwa Tournament Shiner (Shore Line Shiner) - 170 e 140


As sucessoras das Saltigas... São considerados 3 modelos, Saltiga, Shore Line Shiner e Tournament Shiner SL-F. Pelo que tenho visto os últimos 2 modelos são exactamente a mesma amostra, mudando o nome apenas pelo sitio onde são comercializadas. O peso é o mesmo assim como as performances.

De cima para baixo temos:

Daiwa Tournament Shiner SL-F 170 - Cor 45 - Laser Mawashi - 28 gramas
Daiwa Tournament Shiner SL-F 140 - Cor 44 - Katakushi - 19.5 gramas

Bons lançamentos nos 2 tamanhos, devido ao sistema de transferência de massas ser efectuado através de dois êmbolos (um central e outro traseiro). Os lançamentos são superiores às Duo TMS em qualquer dos modelos. Não muito visiveis a olho nu, mas com um conta metros e nas mesmas condições, Ambos os modelos da Daiwa, superam as Duo por 4 ou 5 metros (preciosismos de pescador).

Em comparação com as velhinhas Saltiga, apenas notei um rolling ligeiramente mais pronunciado e um aumento de preço brutal...

Como referi em cima, o trabalhar das Daiwa a mim pessoalmente, enchem-me mais o olho. Wobbling/Rolling mais energético e mais aberto. Dá-me a sensação de emitir maior vibração e sente-se mais facilmente o trabalhar da amostra.

Trabalham numa capa mais superficial a nível de profundidade, onde ganham terreno às Duo TMS.

Daiwa 17cm - 0.15 - 0.8m
Daiwa 14 cm - 0.2m a 0.6m

Pode ser pessoal o problema que tenho com os Owner ST-46, mas mais uma vez substituo todos os triplos por VMC 9626ps #4 (nos 2 modelos).




**Vou agora falar da nota que deixei em aberto no término das Duo, para as comparar.

Apesar de muito semelhantes a nível de prestações e aceitação por parte de quem as usa, temos várias diferenças entre elas. E também muitas semelhanças.

Em ambas as marcas, e independentemente do tamanho, são amostras com as quais é fácil pescar e efetuar capturas devido ao excelente trabalhar delas. Um recolha linear a ritmo médio e/ou mais rápido é suficiente para que demonstrem as suas potencialidades. Os modelos maiores (Daiwa 17 e Duo 175/200) não respondem muito bem a toques de ponteira. Prefiro alternar as velocidades de recolha com uma ou outra paragem curta.

No caso dos modelos mais pequenos, os de 14 cm, já aceitam animações e correspondem ao que lhes pedimos.



Para mares mais pequenos e calmos, com menor ondulação e período de vaga, dou preferência às Daiwa em qualquer dos tamanhos. O trabalhar mais energético e a ausência de rattling (sem esferas para emissão de som) tornam-na mais discretas. No caso das Daiwa de 14cm, o pequeno lábio faz com que não agarre água em condições mais agrestes. Nesses casos as Duo ganham terreno não só pelo formato do lábio e o maior agarre que têm, mas pela presença de rattling que pode servir para juntar som às vibrações que emite levando a que seja mais fácil ao peixe localizá-la.

A favor da Daiwa temos:

  • Melhor distância de lance, ainda que por poucos metros
  • Melhor natação (ainda que seja um ponto pessoal e dependente das condições de mar)
  • Lábio mais robusto
A favor da Duo:
  • Melhor pintura (as Daiwa apesar de não descascarem a pintura, torna-se visível a ação dos triplos e embates em rocha mais facilmente)
  • Melhor agarre com condições mais exigentes
  • Variedade de escolha de cores 
Em ambos os casos é recomendado substituir os triplos para evitar possiveis amarguras.

Em 2016 fiz alguns peixes com elas:

Daiwa 14cm - Robalo 4,5kg
Daiwa 17cm - Robalo 2kg
Duo TMS 200 - 1,8kg e 2x 1.2kg

Uma grande diferença que noto nos modelos maiores é que o peixe, vem preso por fora na maioria das vezes. Enquanto nos modelos de 14cm engolem a amostra por completo. Só tenho mesmo a minha opinião de ser pelo trabalhar mais aberto da amostra no momento do ataque, falhando a boca e cravando os triplos de lado. Não encontro outra explicação lógica, já que nunca vi e/ou ouvi, histórias de robalos a abalroar peixes para comer de seguida.


Shimano Exsense Silent Assassin - 140 e 163

Shimano Exsense Silent Assassin 163 - 32g


Shimano Silent Assassin 140 (em cima) e 163 (em baixo)

São uma das amostras que não consigo perceber a loucura de esvaziarem prateleiras... pelo menos nas versões 163.

Com excepção feita ao excelente lançamento que fazem, derivado do sistema ARC, não lhes vejo qualquer ponto positivo... Isto na versão 163

A pintura é péssima!!! Marca logo na primeira utilização:



Pior do que marcar, é descascar em camadas (amostra abaixo foi usada apenas 1x e em praia de areia, onde a rocha mais perto deveria estar a alguns quilómetros).


Não bastasse a fraca pintura, ainda os triplos+argolas oxidam com relativa facilidade mesmo passando por água doce.

É um facto que apanham peixe, pelo menos em qualquer das 3 cores acima. Pelo que pude testar, não consegui perceber nenhum ponto positivo na natação e/ou qualquer padrão de animação que as fizesse fazer mais do que vir praticamente a direito. É lançar, puxar a uma velocidade mais rápida e rezar que algum taralhoco (não é tarolo, é mesmo taralhoco!!!!) dê por ela e efectue um ataque.


Vamos então para a versão de 14cm e 23g de peso


A foto acima foi tirada ontem, e como podem ver triplos, argolas e pintura impecáveis... Das 4 em uso que aparecem nas fotos acima (a que está na caixa ainda nem saiu de lá) é a amostra que tem mais uso, mais peixe apanhado e a mais antiga.

E.... continua impecável!!!!

Lança bastante bem para as 23 gramas que têm e aceita bem velocidades médias/rápidas com toques de ponteira. Mergulha ligeiramente de cabeça quando trabalhada com animações de ponteira.

Trabalha ligeiramente abaixo da versão 163 a nível de profundidade, na casa do 60/80cm.


Rapala MaxRap 15 e 17cm


As MaxRap nas várias medidas, devem ser provavelmente das amostras que 99% dos pescadores têm dentro das caixas. O bom preço aliado às prestações e cores disponíveis fazem delas um "must have" em qualquer caixa.

De cima para baixo temos:

MaxRap 17cm - Cor FS (Flake Silver) - 28 gramas
MaxRap 17cm - Cor FGFR (Flake Gold Fluorescent Red) - 28 gramas
MaxRap 17cm - Cor FAYU (Flake AYU) - 28 gramas
MaxRap 15cm - Cor FPGH (Flake Purple Ghost) - 23 gramas
MaxRap 15cm - Cor FSS (Flake Silver Steel) - 23 gramas
MaxRap 15cm - Cor FG (Flake Green) - 23 gramas

Faltam mais umas cores que tenho por lá, mas que me esqueci de tirar fotografia.

Ambos os modelos lançam bem, ressentido-se em dias com algum vento onde fazem alguns helicópteros, e não atingem as distâncias que por norma conseguem em dias sem vento.

Trabalham bem com recolhida lenta e toques de ponteiras... Têm funcionado bem em recolhida linear, um jerk mais longo sem dar À manivela seguido de uma curta paragem e nova recolhida.

São excelentes em zonas de pedra, e tenho cores que reservo para pesca nessas zonas visto que não costumo apostar nelas em praias. São elas a FOANC, FS e FG, para citar alguns exemplos.




Para bailas, desconheço cor melhor que a FPGH (Flake Purple Ghost) de noite.

Bons artificiais para mares até 1,5m de vaga (dependendo do pesqueiro) visto que a partir dai o agarre à água é inferior aos Daiwa/Duo de 17 e 17,5cm respetivamente.

Boa natação mas com uns triplos (VMC Spark Point) passiveis de serem substituídos apenas por precaução visto que nunca abri nenhum. Mais uma vez, e para variar dos restantes, VMC 9626ps #4. 

A nível exterior, apenas são marcadas por embates com rochas e pelo triplos ao roçar, já que os holográficos são internos (excepto em algumas cores metalizadas onde o código de cor começa por C - Chrome... Como a CBKP (Chrome Black Purple)). Estas cores é preferível envernizar a amostra (qualquer verniz maritimo incolor serve) para evitar que comecem a descascar a pintura.


6 comentários:

  1. Bastante esclarecedor, a fazer referência a determinados promenores. Eu que sou um fã das Duo e das Saltigas gostei do que li.Apenas só acrescentava que a Duo 200 em relação ao tamanho 175/140 lança muito menos e por vezes faz os chamados helicopetros que nós nada gostamos.Recentemente aduiri uma 175 flyer que são as minas preferidas e verifiquei que os triplos oxidam mais facilmente que os anteriores.
    Parabéns pelo trabalho.

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  2. E sobre rattle não escreves nada?
    E sobre as duo flyer?

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    1. Viva. Sobre o rattling referi na comparação das Daiwa vs Duo. Não o fiz nas outras por esquecimento. Em relação às Flyer não as referi visto que estava a comparar amostras flutuantes. As Flyer entram noutro dominio. Abraço

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  3. Sobre o rattling de uma amostra.Na minha modesta opinião este sim é a principal carateristica a destacar numa amostra.É por meio dos seus próprios movimentos e do seu barulho produzido por varias camadas de agua a uma certa e determinada distancia que desperta o interesse do perdador.Eu diria que uma amostra com um bom rattling quase não precisa de ser trabalhada,apenas a recolha linear.Aqui destaco a Maria Angel Kiss.
    Sobre as Duo Flyer.Ponto negativo o seu elevado custo.A pala e triplos tambem poderiam ser melhores face ao seu preço.Uma amostra que eu chamo "todo terreno"Trabalha e mata em todas as situações possíveis.Cores espetaculares com optimos acabamentos.Uma amostra que eu não dispenso numa jornada de pesca.

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    1. Viva Tiago. O rattling, para mim de um ponto de vista puramente pessoal, fica em 2º plano. Prefiro uma amostra que trabalhe bem com um wobbling/rolling bom do que a fazer barulho. Com mares mais calmos dou preferência às Daiwa, nos diversos modelos, sem rattling. Tornam-se mais discretas e o peixe com mar calmo caça mais desconfiado. As vibrações da natação da amostra são o suficiente para que os robalos detetem as presas com recurso à sua linha lateral. O factor audição/visão pelo entendimento que faço passa a um 2o plano. Em certas condições não dispenso um bom rattle, mas não faço dele a minha primeira escolha. A Angel Kiss, acho que até sem triplos apanha peixe ;)

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  4. Boas, não há muito tempo que falava com o Nogueira dos tamanhos das amostras e da maneira como os robalos ferram. Na minha forma de ver, quando o robalo ataca um presa mais avantajada dá a sensação que ataca para imobilizar/desorientar e comer logo em seguida enquanto uma mais pequena é logo para comer. As minhas melhores ferragens têm sido com amostras de 140mm ou menos. No passado verão com uma Daiwa Dminnow de 150mm/31gr e um robalo de 3kg veio preso por um olho! Mas com a mesma amostra já têm vindo robalos kileiros bem ferrados. Dá um pouco a sensação de que os maiores exemplares confiam mais na sua força e talvez por isso ataquem de forma diferente.

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