terça-feira, 15 de novembro de 2016

Algumas opiniões pessoais...

Viva,

A pesca para mim, tem uma única verdade absoluta... O não haver verdade absoluta... Não há nada que garanta a 100% uma captura, um dia mágico para ficar para recordação... Rejo-me por uma máxima de "Insistir, persistir e não desistir"...

Falando do spinning enquanto modalidade, é uma pesca que entusiasma muitos pescadores pelas excelentes capturas que se vêm, assim como leva muita gente a investir dinheiro em material para depois ser encostado por falta de resultados.

Existem algumas noções a ter em conta nesta modalidade, em que a mais importante é a percentagem... Sim, percentagens!!! A pesca não é matemática... Não é uma equação onde colocando as variáveis no sitio certo se chegue a um resultado certo, que no nosso caso se traduz em capturas!!!

A pesca é um conjunto de percentagens, onde 90% se reflecte na sorte! Os 10% restantes são escolhas, que sendo certas e/ou erradas nos levam a aumentar a probabilidade de capturas. Seja no dia que escolhemos, nas condições do mar, na lua, na maré, na pressão atmosférica, no tipo de amostra, na cor, na forma como resolvemos abordar o pesqueiro, etc...

Não é o ter 1500€ investidos numa cana/carreto, mais 500€ em amostras na cintura, o colete todo XPTO de 200€ e uma lanterna na testa que custa tanto como o farolim de um carro...

Já antevejo que as próximas linhas que vou escrever se possam alongar, e verei se divido por partes.

Para quem se inicia, ou para quem já se tenha iniciado, penso que possa retirar algumas ideias deste(s) post(s)...

Não me vou focar no tema do material muito profundamente, visto que é um dos assuntos mais debatidos na especialidade... Cada um tem as suas preferências pela marca A ou pela marca B para canas, e o mesmo sucede no tema dos carretos e material afim...

Para deixar umas luzes a quem se inicia, para que possa deixar uma espécie de guia para que numa primeira orientação se torne mais fácil iniciar esta modalidade, e depois sejam capazes de tirar as vossas próprias conclusões.

Comecemos então pelas nomenclaturas (ainda que variem em função da zona do país):

Snap/Clip/Alfinete: Servirá para prender a amostra à nossa linha, e permite-nos trocar de amostra de forma fácil e rápida.


 Os modelos acima serão, talvez, os mais utilizados! Ambos permitem substituir facilmente as amostras a meio de uma jornada. Por norma os tamanhos, são mais ou menos standard, e para o nosso tipo de pesca o tamanho irá variar entre o #2 e o #3

Há quem defenda que o modelo 1 permite que a amostra nade melhor que o modelo 2. Pessoalmente uso os 2 modelos e não lhes noto grande diferença. Ficam bem servidos com qualquer modelo.

Existem "N" modelos diferentes e devem fugir destes abaixo:


Snaps que apresentem uma curvatura para fechar devem ser evitados, visto que algumas amostras têm olhais pequenos e/ou demasiado grossos para que a amostra passe.

Leader: Monofilamento, revestido a fluorcarbono ou 100% Fluorcarbono. Terá um comprimento de entre 40cm a 60cm e servirá para proteger o multifilamento das pedras, e é menos visível na água.É no leader que o snap irá ficar.

A grossura varia em função do tipo de pesqueiro:

Pesqueiro de areia: 0.35mm é mais do que suficiente
Pesqueiro de misto (areia/pedra): 0,40mm - 0,45mm
Pesqueiro de pedra: 0,45mm - 0,50mm

Como tudo na pesca é mais um tema de inúmeras opiniões, e com defensores do 100% fluor... Outros do mono, etc...

Pessoalmente, a minha opinião neste tema é menos rigida... Gosto, e uso, tanto o revestido como o 100% Fluor.

Tubertini Gorilla Power (Fluorline): 0,372mm - Resistência 17.7kg - Uso em pesqueiros de areia


Berkley Trilene 100% Fluorcarbon: 0,43mm - Resistência 9kg (20lb)



Para amostra rígidas prefiro o Tubertini por ser mais macio e maleável. Para vinis, jigs, zagaias e afins prefiro o Berkley por ser mais rijo e por norma por pescar junto a pedra com as amostras acima referidas.


Linha do carreto: aqui divide-se em duas, monofilamento e multifilamento. Idealmente iremos utilizar multifilamento visto que nos permite um menor diâmetro com mais resistência. Existem no mercado centenas de marcas/modelos. Devemos optar por uma que nos dê garantias, seja em 4 fibras ou 8. Aqui mais uma vez, cada cabeça sua sentença... Há uns melhores, outros piores, uns mais caros e outros mais baratos.

Pessoalmente uso 2 marcas/modelos que fogem um pouco ao convencional:

Berkley Whiplash em 0,06mm e 0,10mm: As medidas que a marca apresentam não faço ideias de como as mediram, mas na realidade correspondem a 0,19mm e 0,23mm respectivamente.


Spiderwire Stealth Code Red 0,17mm (11kg)

O Spiderwire apenas testei uma vez, e portou-se bem na captura do robalo do post anterior. Silencioso e resistente nos testes que fiz.

O Whiplash fez 2 anos com perda de cor mínima e com um excelente comportamento tanto em pesqueiros de areia como de pedra.

A nivel geral devemos ter em consideração o tipo de pesqueiro para o diâmetro da linha:

Pesqueiro de areia: 0.14mm a 0,19mm - ter em consideração a resistência visto que varia das 4 fibras para as 8
Pesqueiro de misto (areia/pedra): 0,20mm - 0,22mm (permite-nos lançar o suficiente, e ter resistência)

Pesqueiro de pedra: 0,22 a 0,24mm - Em pesqueiros de pedra não se pode facilitar. O uso de bom material faz a diferença entre capturar o exemplar de uma vida ou de o deixar fugir.

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Passando à frente do material...

O spinning é uma pesca itinerante, ou deveria ser... Vejo com frequência grupo de pescadores que abordam uma praia com a maior das fezadas... Chegar, colocar amostra, lançar, recolher, lançar, recolher,lançar, recolher,lançar, recolher,lançar, recolher,e os pés nem mexem do sitio...

Numa imensidão de mar, depender dos 90% de sorte para capturar um peixe quando não nos mexemos e os procuramos é complicado :)

Ao começarmos a pesca devemos iniciar os lançamentos em leque, ou seja, lançar num ângulo que nos permita explorar a água à nossa frente:


L1 - Lançamento 1
...
L10 - Lançamento 10

Podemos estar 2h com os pés no mesmo sitio a lançar vezes sem conta e sem sentir nada. Por isso abordamos  a pesca de um ponto de vista itinerante... Uma dúzia de lançamentos no mesmo sitio em leque, e deslocamos-nos para explorar outra zona... A sorte procura-se!!! De nada servem as eternas perguntas: "Qual o melhor pesqueiro???"  "Com que amostra???"... Basta responder apanhei na praia X.. Essa praia tem 4km de comprimento... Pois, chegar e fixar os pés na esperança de ser bafejado com um grande exemplar não apresenta grandes probabilidades... Deve-se explorar a praia à procura do peixe... Pesqueiros e amostras, pessoalmente, não partilho excepto com um grupo por restrito de amigos... Palmilho quilómetros de carro e de praia para os encontrar...

Dica 1: As amostras trabalham mais acima, ou mais abaixo, da capa de água consoante a ponteira da cana está mais ou menos levantada. Se a ponteira está ao nível da água a amostra tende a afundar mais devido ao lábio (no caso das rígidas). Com a ponteira ao alto, a tração exercida surge de um ponto mais alto, o que vai contrariar o lábio, fazendo com que a amostra suba um pouco.

Dica 2: Vejo pessoal a pescar como se estivesse a treinar o peixe para os jogos olímpicos... Cada amostra tem a sua velocidade para nadar... Sintam as vibrações da amostra ao puxarem, vejam como a amostra nada à vossa frente antes de puxarem desenfreadamente na esperança de um peixe a morder.... Muitas vezes o conselho que dão é para adquirirem carretos que façam 100cm/volta (não percebo o porquê sinceramente). O robalo é um predador oportunista que se alimenta essencialmente por fome, por territorialidade ou porque surge uma boa oportunidade. O ataque é calculado para as necessidades energéticas que a presa representa... Se tiverem de desperdiçar muita energia para uma presa que não aparenta ter o tamanho necessário, pura e simplesmente não atacam. O mesmo sucede no tipo de recuperação. Um peixe ferido apresenta uma melhor probabilidade de captura, com o mínimo de energia desperdiçada...  Deste modo a recolha não deve ser puramente linear... Devemos animar as amostras com pequenos toques, paragens, uma recuperação energética após a paragem como se de um último suspiro de um peixe ferido se tratasse... (Eu também prefiro sentar-me e comer descansado um bom bife no restaurante, do que andar a correr atrás de uma vaca para a matar, arranjar e cortar o bife para depois comer...)

Outro ponto é olhar para o mar e perceber como está a trabalhar. Neste ponto fazemos o trabalho de casa antes de ir para o pesqueiro. Temos inúmeras ferramentas que podemos consultar: IPMA, Windgurus, etc...

Centrem-se nos aspectos do vento (velocidade+rajadas), no período da onda (tempo entre uma onda e outra) e a altura da vaga.

Vento: Se estiver demasiado vento de frente, vai-nos impossibilitar de efectuar lançamentos em condições, e ficamos sujeitos às famosas cabeleiras... Se o vento estiver de costas as amostras parecem misseis!!

Período da onda: Quando menor for o periodo maior a possibilidade de se formarem pesqueiros de espuma.

  • Período entre 9s a 12s - significa que de 9 em 9s (ou de 12 em 12) surgem uma onda. bons tempos para que estejamos num pesqueiro bem oxigenado (espuma). Se a vaga não for muito grande permite trabalhar bem as amostras
  • Período entre 12s e 14s - O mar mexe mais por baixo, a corrente tende a aumentar o que faz com que as amostras não trabalhem tão bem. Aqui é importante sentir a amostra (vibrações) para se ter uma ideia se está a trabalhar bem ou se vem a direito sem qualquer acção
  • Períodos superiores a 14s - mar de fundo. muita corrente e que se acompanhado por vagas altas, se tornam nas condições ideias para spinning mais pesado (casting jigs, zagaias, chivos)

O mudar do tempo, pressão atmosférica, é também uma boa informação a recolher. Quando o tempo mudar repentinamente, o dia antes e depois das alterações costumam dar resultados.

Virtualmente é tudo muito bonito, mas é depois no pesqueiro que se retiram as restantes conclusões.

Olhar para a água e procurar a zona de água mais mexida. É onde se encontram as línguas de areia, afloramentos rochosos, agueiros, etc...

Dica 3: Numa praia, onde a topografia na margem é toda igual (toda a praia é igual na sua extensão, sem cabeços de areias) devem observar não só as ondas mas até onde chegam na margem.

Por norma a onda rebenta quando a distância da linha de água ao topo da onda, é igual à distância entre a linha de água e o fundo. Isto apenas é válido em praias de areia, visto que com pedra as ondas podem rebentar quando passam pela pedra.

Conhecendo a praia na baixa-mar, ficamos com uma ideia do tipo de fundo. Aqui se virmos que ondas de 1m rebentam a 30m da margem, sabemos que ali temos 1m de fundo sensivelmente. Podemos escolher a amostra em função dessa profundidade...

Temos também o caso em praias "direitas", de observar onde as vagas quando rebentam chegam mais acima na margem... Significa que ao rebentarem mais perto da margem, é uma zona mais profunda... é uma zona a explorar! Se na água estivermos o mar espumado mais longe, e tudo o resto estiver calmo significa que temos ou um afloramento rochoso e/ou uma língua de areia... Mais uma vez é uma zona a explorar. 

As ondas formam-se essencialmente devido às marés e ao vento... Mas não vou entrar em detalhes mais técnicos...

Tal como no surfcasting observem as margens. A presença de cascas de bivalves significa que na zona estiveram, ou estão peixes a alimentar-se... Como predador, os robalos certamente não andarão muito longe...

Observem como os robalos, quando os conseguem ver nas ondas a patrulhar, se deslocam na maioria das vezes contra a corrente na esperança da corrente lhes trazer alimentos... Comecem a tirar conclusões do que observam...

Tomem notas das capturas que fazem (pesqueiro, horas da captura, hora da maré, período, vaga, lua, amostra, etc...)... Não é 100% certo, mas começam a perceber um padrão de actividade.





Em resumo: Insistam, persistam, não desistam e sobretudo procurem os 10% que faltam...

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